5 de Março, 2024
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Anemia falciforme: ONG Efatha preocupada com o tratamento dos pacientes
AngolaAssistência MédicaNotícia

A melhoria do atendimento e dos cuidados prestados aos doentes de anemia falciforme está a preocupar a Organização Não Governamental Efatha, que considera a luta contra a patologia uma emergência nacional.

Para o presidente da ONG, António Félix, é preciso haver maior cuidado com os doentes de anemia falciforme, cujos números continuam a aumentar a cada ano. “É preciso que cada cidadão se reveja nesta missão e ajude a criar medidas mais favoráveis para os pacientes”, recomendou.

A ONG, avançou, tem realizado encontros regulares para sensibilizar a população sobre a condição do doente e as implicações e complicações da anemia falciforme no quotidiano das vítimas.

 
Testemunhos

Diagnosticada aos dois anos com anemia falciforme, Yara de Brito é uma das portadoras da doença, que todos os anos tem procurado superar. A descoberta, contou, ocorreu da pior forma. Na altura, lembrou, havia pouca informação sobre a anemia falciforme. “Alguns médicos disseram-se que sobreviveria apenas até aos 15 anos”.

A primeira crise, recordou, ocorreu aos nove anos. “Tive de ficar internada por um mês”, disse, além de informar que devido à doença, passou por discriminações e bullying. “Mas, apesar disso, consegui sobreviver aos estigmas”.

Yara de Brito adiantou que mesmo com a doença, conseguiu vencer na vida. Hoje, com 27 anos, é licenciada e formada em psicologia clínica. “Uso a experiência para dar consolo e esperança aos que passam pelo mesmo. Considero-me uma vencedora. Além disso, estou há nove anos sem crises. Se ontem eu era discriminada, por ter olhos amarelados e inchaço nos pés e nas mãos, hoje, sou vista como uma doutora de referência”.

Outro exemplo de superação é de Luísa Simão, mãe de um menino com anemia falciforme, que descobriu a doença no filho depois do parto. “A partir dos oito meses, começamos a fazer o tratamento e nesta altura me informaram que ele não sobreviveria até aos seis anos”, disse, além de criticar alguns médicos pela forma como passam informações aos utentes. “Hoje sei que é possível viver com a doença. Actualmente, consigo controlar as crises, devido, em grande parte, à experiência adquirida nos encontros com outros portadores ou familiares de doentes”.

 
Acesso à informação

A médica Irene Lialunga explicou que a anemia falciforme precisa de ser encarada como um problema de Saúde Pública, como o HIV, assim como é necessário maior divulgação da informação sobre a doença, pois o conhecimento também é uma forma de prevenção.

De acordo com a médica, as pessoas com a doença são portadoras da hemoglobina S, composta por células muito frágeis, que se rompem com facilidade e, muitas vezes, agrupam-se e entopem os vasos sanguíneos, dificultando a circulação do sangue.

Em alguns casos, esclareceu, a pessoa herda dos pais Hemoglobina A, normal, e a S, da doença, mas leva uma vida normal e saudável, mesmo sendo um portador. “Contudo, quem herda a Hemoglobina SS dos pais é considerado doente. Apenas alguém com a Hemoglobina A e A está ausente da doença nem é portador”.

O inspector de Saúde Pública do Gabinete Provincial da Saúde de Luanda, José Lenvuca, considera essencial os casais fazerem diagnósticos precoces, para que haja  maior prevenção contra a doença.

“Os exames pré-nupciais, assim como os testes na gestação e em recém-nascidos, pelo facto de a doença trazer estigmas sobre o sexo e o matrimónio, ao ponto de o portador limitar-se a relacionar-se sexualmente por vergonha da condição, são necessários”, informou.

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