12 de Junho, 2024
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Cuanza-Sul e Benguela recebem aproximadamente 69 milhões de kwanzas para o combate ao VIH-SIDA
AngolaNotícia
São 83 mil dólares “aproximadamente 69 milhões de kwanzas” que o Fundo Global investiu nas referidas províncias de Angola, onde, segundo revelação da ANASO, se espera cobertura de antirretrovirais, preservativos, testes e de outros insumos que permitem o andamento satisfatório da luta contra a SIDA

O líder da Rede Angolana das Organizações de Serviços de Sida (ANASO), António Coelho, revelou ao OPAÍS que o Fundo Global financiou um projecto de luta contra SIDA nas províncias do Cuanza-Sul e de Benguela com um orçamento de 83 mil dólares, que não prevê saturação.

De acordo com o entrevistado, que disse ter constatado o andamento do referido programa, isso quer dizer que este investimento que o Fundo Global está a fazer não prevê que, em algum momento da sua implementação, haja rotura de antiretrovirais, de preservativos, testes ou de outros insumos para o combate à SIDA.

“Mas a verdade é que, com este investimento, nessas províncias, continuamos a assistir rotura de quase tudo e a única coisa que justifica isso tem a ver com os dados que não reflectem a realidade dos casos.

Nós estamos a trabalhar com dados subestimados e, quando estamos a fazer a quantificação dos produtos necessários, fazemo-lo por defeito”, aclarou António Coelho.

Para assegurar o que acabava de referir sobre a deficiência no efeito dos dados, o presidente da ANASO fez referência de um périplo que, muito recentemente, ele e a sua equipa efectuaram em algumas províncias, onde trabalharam com responsáveis de recolha e tratamento dos dados que, depois, são colocados à disposição do espectro.

Dados teoricamente irreais

Quando ele e seus parceiros da ANASO olham para esses dados, lembram, primeiramente, que o último estudo populacional ou inquérito multidisciplinar de indicadores múltiplos de saúde foi realizado em 2016, no conhecido IMS (hoje Instituto Técnico de Saúde de Luanda) e que os dados já não estão actualizados.

“Estamos a viver, fundamentalmente, do suporte desses estudos de 2016, por um lado, e, por outro, de estimativas que nos são dadas por um instrumento chamado espectro, que é um instrumento da ONU-SIDA que trabalha na base dos dados que são colocados à sua disposição” lamentou o defensor da causa da SIDA.

Sublinhou que este instrumento oferece dados estimados e que nem nesse capítulo se está bem, porque o trabalho de recolha e tratamento de dados é feito de forma péssima, irregular e sem condições requeridas, o que os influencia a ajudar a melhorar, rapidamente, esses registos.

Fonte: Jornal o País

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