4 de Março, 2024
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Risco de alastramento de doenças em Gaza: um alerta da OMS
Internacional

Em meio à deterioração das condições básicas de higiene e à superlotação de hospitais e outros estabelecimentos de saúde na Faixa de Gaza, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre o alto risco de disseminação de doenças na região. A entidade aponta “tendências preocupantes” nesse contexto.

“A falta de combustível provocou o fechamento de instalações de dessalinização de água, aumentando significativamente o risco de infecções bacterianas, como [as que provocam] diarreia, e se espalham à medida que as pessoas consomem água contaminada”, diz a OMS.

Segundo a organização, já foram identificados, desde meados de outubro, 3.552 casos de diarreia na região. Mais da metade em crianças menores de cinco anos. Essas cifras representam um “aumento significativo” em relação à média mensal de 2 mil casos para esse mesmo perfil etário em 2020 e 2021.

A guerra em Gaza já provocou o deslocamento interno de cerca de 1,5 milhão de pessoas pelo território. Boa parte dessa população acaba alojada em abrigos, instalações improvisadas ou habitações superlotadas, o que contribui para agravar a disseminação de doenças.

Além da diarreia, há diversos focos de outras doenças. Já foram identificados 8.944 casos de sarna, 1.005 de catapora, 12.635 de erupções cutâneas e 54.866 infecções do trato respiratório superior.

A falta de combustível abalou o sistema de recolhimento de resíduos sólidos, criando, de acordo com a OMS, “um ambiente propício à proliferação rápida e generalizada de insetos e roedores que podem transmitir doenças”.

Deterioração das condições sanitárias e d o atendimento médico

Desde o início dos ataques à Faixa de Gaza, em 07 de outubro, a entrada de suprimentos na região, inclusive de medicamentos e combustíveis, caiu drasticamente, pressionando ainda mais o já frágil sistema de saúde do enclave palestino.

A situação é agravada pela interrupção das atividades de vacinação de rotina e o quase desmantelamento do sistema de vigilância epidemiológica, que poderia realizar a detecção precoce de focos de doenças e tomar as medidas necessárias para combatê-las.

“As limitações de conexão à internet e de funcionamento do sistema telefônico restringem ainda mais a nossa capacidade de detectar precocemente potenciais surtos e de responder [a essas situações] de forma eficaz”, diz OMS.

A entidade também pontua a superlotação de hospitais, que sofrem com carência generalizada de insumos e de medicamentos, muitas vezes com sistemas de distribuição de água e de saneamento básico criticamente danificados.

A OMS afirma que, nessas condições, é “quase impossível” que os estabelecimentos de saúde sigam até mesmo os procedimentos mais básicos de prevenção.

Além de aumentar o risco de infecções para pacientes em diversos contextos clínicos — desde os que sofreram traumas até os que foram submetidos a cirurgias —, a situação também representa uma ameaça às equipes de saúde.

“A insuficiência de equipamentos de proteção individual significa que os próprios profissionais da saúde podem contrair e transmitir infecções enquanto prestam atendimento aos pacientes. A gestão de resíduos hospitalares foi gravemente perturbada, aumentando ainda mais a exposição a materiais perigosos e a infectantes.”

Até agora, as m edidas foram insuficientes

Na quarta-feira (8), um carregamento de suprimentos chegou ao hospital Al-Shifa, o maior do território palestino, localizado no norte do país. Foi o segundo reabastecimento do tipo ao local desde o começo do conflito.

A ajuda, contudo, foi classificada como insuficiente pala OMS. De acordo com a entidade, enfermarias e atendimentos de urgência estão abarrotados, e atualmente há quase dois pacientes para cada leito disponível.

O organização alertou para a necessidade de ajuda humanitária urgente e imediata à Faixa de Gaza, incluindo entrega de combustível, água, alimentos e suprimentos médicos.

“Conforme o direito humanitário internacional, todas as partes no conflito devem cumprir suas obrigações de proteger os civis e as infraestruturas civis, incluindo os serviços de saúde”, disse a OMS, que defendeu a liberação incondicional de todos os reféns e um cessar-fogo humanitário.

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