15 de Junho, 2024
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Tatuagem pode aumentar o risco de câncer do tipo linfoma
Estudo

Pesquisadores da Universidade de Lund acreditam que as tatuagens desencadeiam uma inflamação de baixo grau no corpo, que por sua vez pode desencadear linfomas.

Tatuagens podem aumentar o risco de linfoma, um tipo de câncer no sistema linfático. Essa é a conclusão de um novo estudo, publicado na eClinicalMedicine, realizado por pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia. Apesar da descoberta, a equipe alerta que são necessários mais estudos.

No total, todo o estudo incluiu 11.905 pessoas. Destas, 2.938 pessoas tiveram linfoma quando tinham entre 20 e 60 anos. Entre eles, 1.398 pessoas responderam ao questionário, enquanto o número de participantes do grupo controle foi de 4.193. No grupo com linfoma, 21% foram tatuados (289 indivíduos), enquanto 18% foram tatuados no grupo controle sem diagnóstico de linfoma (735 indivíduos).

“Depois de levar em conta outros fatores relevantes, como tabagismo e idade, descobrimos que o risco de desenvolver linfoma era 21% maior entre aqueles que foram tatuados. É importante lembrar que o linfoma é uma doença rara e que nossos resultados se aplicam em nível deste grupo. Os resultados agora precisam ser verificados e investigados mais detalhadamente em outros estudos e essa pesquisa está em andamento”, diz Christel Nielsen, pesquisadora da Universidade de Lund que liderou o estudo.

Uma hipótese que o grupo de pesquisa da Nielsen tinha antes do estudo era que o tamanho da tatuagem afetaria o risco de linfoma. Eles pensaram que uma tatuagem de corpo inteiro poderia estar associada a um risco maior de câncer em comparação com uma pequena borboleta no ombro, por exemplo. Inesperadamente, a área da superfície corporal tatuada acabou não importando.

“Ainda não sabemos por que isso aconteceu. Só podemos especular que uma tatuagem, independentemente do tamanho, desencadeia uma inflamação de baixo grau no corpo, que por sua vez pode desencadear o câncer. O quadro é, portanto, mais complexo do que inicialmente imaginamos”, diz a pesquisadora.

A maioria das pessoas faz sua primeira tatuagem ainda jovem, o que significa que você fica exposto à tinta da tatuagem durante grande parte de sua vida. Mesmo assim, a pesquisa apenas arranhou a superfície dos efeitos das tatuagens na saúde a longo prazo.

“Já sabemos que quando a tinta da tatuagem é injetada na pele, o corpo interpreta isso como algo estranho que não deveria estar ali e o sistema imunológico é ativado. Grande parte da tinta é transportada para longe da pele, para os linfonodos, onde é depositado”, diz Nielsen.

O próximo passo do grupo é analisar se existe alguma associação entre tatuagens e outros tipos de câncer. Eles também querem fazer mais pesquisas sobre outras doenças inflamatórias para ver se há uma ligação com tatuagens.

“As pessoas provavelmente vão querer continuar a expressar a sua identidade através de tatuagens e, portanto, é muito importante que nós, como sociedade, possamos garantir que é seguro. Para o indivíduo, é bom saber que as tatuagens podem afetar a sua saúde, e que você deve consultar seu médico se sentir sintomas que você acredita que possam estar relacionados à sua tatuagem”, conclui Nielsen.

Fonte: O Globo

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