15 de Junho, 2024
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Estímulos elétricos no cérebro para tratar depressão? Técnica está a ser estudada
EstudoInternacional

Os investigadores defendem que o tratamento com estímulos elétricos pode ajudar o cérebro a retomar ligações neuronais que ficam impedidas em casos de depressão. No entanto, esta técnica não é consensual na comunidade científica.

A utilização de estímulos elétricos no cérebro está a ser testada como possível tratamento para situações de depressão profunda. Os investigadores defendem que a aplicação de elétrodos no cérebro permite estimular a região que regula o comportamento emocional, retomando as transmissões cerebrais típicas. No entanto, há especialistas que consideram não haver conhecimento suficiente para aplicar esta técnica.

Emily Hollenbeck é uma das pacientes deste ensaio. Os sucessivos episódios de depressão – alguns tão fortes, que mal se conseguia mexer – colocaram-na como uma candidata para os ensaios clínicos a este tratamento inovador.

Antes do tratamento por estímulos elétricos no cérebro, Emily tentou vários tratamentos, incluindo terapia electroconvulsiva, mas “nada resultou”. “Senti que naquele momento já tinha tentado de tudo e estava desesperada por uma resposta”, acrescenta.

Apesar dos receios, decidiu propor-se a este tratamento experimental e foi uma das poucas centenas de pacientes a participar no ensaio clínico à estimulação profunda do cérebro – tradução livre de “deep brain stimulation” (DBS).

Realizou uma cirurgia para colocar os elétrodos de metal na região do cérebro que regula o comportamento emocional – chamada córtex cingulado anterior – e um aparelho de controlo no peito, debaixo da pele.

O aparelho colocado no peito controla a quantidade de estímulos elétricos e fornece pulsos constantes de baixa voltagem. Estes pulsos vão ajudar os neurónios a comunicar melhor uns com os outros, uma vez que estas células comunicam através de estímulos elétricos (também definidos como impulsos nervosos).

Brian Kopell, diretor do Centro de Neuro modulação do Instituto de Mount Sinai West, em Nova Iorque, explica à AP que, em casos clínicos de depressão, a atividade elétrica do cérebro fica impedida nos circuitos emocionais do cérebro. O DBS parece “desbloquear o circuito retomando dessa forma a atividade normal do cérebro, acrescenta o especialista.

O regulador norte-americano para os medicamentos (Food and Drug Administration, FDA na sigla inglesa) aceitou o ensaio clínico proposto pelos Laboratório Abbott para testar os aparelhos de estímulo cerebral em tratamentos para depressão profunda – que é resistente aos tratamentos farmacológicos.

Mas a utilização de DBS para o tratamento da depressão é um tema complexo e que tem vindo a dividir a comunidade científica. Os primeiros estudos realizados sobre esta técnica pareciam não mostrar uma resposta significativa entre os grupos tratados com DBS e o grupo de controlo.

A psiquiatra Katherine Scangos, professora na Universidade da Califórnia, em São Francisco, justifica a falta de resultados com a aplicação não personalizada dos elétrodos e com uma avaliação a curto prazo dos resultados.

Estudos posteriores mostraram que pacientes com depressão apresentam sinais de alívio de sintomas anos depois do tratamento com DBS. Um estudo de 2022 aponta para uma taxa média de 60% de resultados.

Mesmo assim, alguns especialistas são séticos em relação a este tratamento e às potenciais complicações que podem ocorrer: hemorragias cerebrais, AVC ou infeção após a cirurgia.

Em declarações à AP, Stanley Caroff, professor emérito de psiquiatria na Universidade da Pensilvânia, alerta que os mecanismos do cérebro que levam à depressão não são ainda conhecidos e que é difícil encontrar um local para aplicar os estímulos. Lembra ainda que existem tratamentos de sucesso já aprovados para a depressão.

Fonte: sic notícias

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