A província do Huambo prepara-se para vacinar, mais de 172 mil meninas, com idades entre os 9 e 12 anos, contra o cancro do colo do útero. A campanha de vacinação, prevista para Novembro, faz parte de uma estratégia nacional de prevenção e combate a esta doença, que afeta e mata muitas mulheres em Angola.
Segundo informações fornecidas à Angop por Valentim Catolo, chefe do departamento de Saúde Pública do Huambo, a vacina a ser administrada é contra o Vírus do Papiloma Humano (VPH), principal responsável pelo desenvolvimento do cancro do colo do útero. Esta iniciativa surge como resposta às preocupações crescentes do Executivo angolano em relação à elevada incidência da doença entre as mulheres do país, explicou o mesmo.
Campanha focada em escolas
Nesta primeira fase, a vacinação será realizada em escolas do ensino primário e do I ciclo, abrangendo toda a extensão territorial da província do Huambo. Valentim Catolo explicou que a vacina será aplicada numa dose única para cada aluna que faça parte do grupo-alvo.
A vacina, denominada CECOLIM, foi aprovada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e é vista como uma solução de prevenção eficaz para meninas que ainda não iniciaram a sua vida sexual ativa. O chefe de Saúde Pública da província do Huambo, afirmou que este grupo etário, dos nove aos 12 anos, é considerado cientificamente como 100 por cento eficaz para a administração da vacina, destacando os resultados positivos de países que já aplicaram a vacina.
Combate ao cancro no futuro
O cancro do colo do útero tem uma taxa de mortalidade alarmante, especialmente em África, onde atinge 64%das mulheres diagnosticadas. Ao aderir à vacinação, Angola busca reduzir significativamente esses números, protegendo as meninas de hoje contra a doença no futuro.
Valentim Catolo destacou ainda que a colaboração de todos os setores da sociedade será fundamental para o sucesso da campanha.
Importância do rastreio para mulheres adultas
Embora a campanha seja focada nas meninas, o responsável sublinhou a necessidade de as mulheres sexualmente ativas continuarem a realizar exames de rastreio, como o Papanicolau. Este exame permite a detecção precoce de lesões pré-cancerosas e do próprio cancro, possibilitando intervenções médicas a tempo de salvar vidas.
A vacinação de mais de 172 mil meninas no Huambo é um marco importante na luta contra o cancro do colo do útero, e espera-se que esta medida ajude a reduzir a prevalência da doença no país.