14 de Abril, 2024
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Stress crónico pode aumentar o risco de propagação do cancro
EstudoInternacional

Os cientistas descobriram o mecanismo da relação entre stress e cancro e salientam que a redução do stress deve ser uma componente do tratamento e prevenção da doença.

Um estudo revela que o stress crónico pode aumentar o risco de propagação do cancro ao provocar a formação de estruturas pegajosas semelhantes a teias pelos neutrófilos, uma variedade de glóbulos brancos. Essas estruturas tornam os tecidos do corpo mais suscetíveis à metástase, o que significa que o cancro pode espalhar-se para outras partes do corpo.

Uma descoberta que abre caminho a novas estratégias de tratamento que impeçam a propagação do cancro, segundo um comunicado divulgado pelo Laboratório Cold Spring Harbor (CSHL), Nova Iorque, onde foi realizada a investigação.

“O stress é algo que realmente não podemos evitar num paciente com cancro. Se for diagnosticado, não consegue parar de pensar na doença, no seguro ou na família. Portanto, é muito importante entender como o stress funciona”, refere, citado no comunicado, Xue-Yan He, um dos autores do estudo.

Aumento significativo nas lesões metastáticas nos animais

A equipa de investigadores, que inclui as especialistas Mikala Egeblad e Linda Van Aelst, realizou experiências em ratos com cancro, expondo-os ao stress crónico.

Primeiro removeram tumores que cresciam nos seios dos ratos e espalhavam células cancerosas para os pulmões. Em seguida, expuseram os animais a stress.

O resultado foi um “aumento assustador” de lesões metastáticas nos animais.

“Houve um aumento de até quatro vezes nas metástases”, precisou Egeblad.

A equipa descobriu que as hormonas do stress (glicocorticóides) atuavam sobre os neutrófilos. Esses neutrófilos “stressados” formaram estruturas semelhantes a teias de aranha que se formam quando os neutrófilos expelem DNA.

“Normalmente, esse tipo de glóbulos brancos pode defender-nos contra micro organismos invasores. No entanto, no cancro criam um ambiente favorável às metástases”, referem os autores do trabalho.

Stress crónico causou modificações no tecido pulmonar

Descobriu-se que as hormonas do stress agem sobre os neutrófilos, fazendo com que estes formem estruturas semelhantes a teias de aranha.

Essas estruturas criadas pelos neutrófilos sob stress criam um ambiente favorável à propagação do cancro, mesmo em ratinhos sem cancro.

Redução do stress deve ser uma componente do tratamento e prevenção do cancro

Os autores do estudo salientam a importância de entender como o stress afeta o desenvolvimento do cancro, sugerindo que a redução do stress deve ser considerada como parte do tratamento e prevenção do cancro.

Além disso, os investigadores sugerem que futuros medicamentos que evitem a formação das estruturas pegajosas dos neutrófilos podem beneficiar pacientes com cancro em estágio inicial, retardando ou impedindo a sua propagação pelo corpo.

Fonte: Sic notícias

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